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Trégua Olímpica vai vigorar durante jogos no Rio de Janeiro em 2016
Trégua Olímpica, pela paz, também será pedida durante Jogos no Rio de Janeiro (Foto José Pedro Martins)

Trégua Olímpica vai vigorar durante jogos no Rio de Janeiro em 2016

Entre 5 de agosto, no começo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, até 18 de setembro, final das Paralimpíadas na chamada Cidade Maravilhosa, vai vigorar o pedido de Trégua Olímpica, feito pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A iniciativa relembra a trégua nos conflitos, observada na Grécia durante os Jogos Olímpicos da antiguidade. É um momento simbólico de celebração da paz em todo mundo.

Sempre na véspera das Olimpíadas e Paralimpíadas, a Assembleia Geral da ONU aprova uma resolução visando “Construir uma sociedade pacífica e um mundo melhor através do esporte e do ideal olímpico”, na qual faz um apelo a que todos os seus mais de 190 estados membros observem o cessar de hostilidades durante o período olímpico seguinte.

Diversas fontes apontam para o ano de 776 a.C como o início das Olimpíadas na antiga Grécia. Eram jogos realizados em Olimpia, onde estava situado um santuário em homenagem a Zeus, no Noroeste do Peloponeso, a 320 quilômetros de Atenas e a 80 de Esparta. Nesse território, às margens do rio Alfeo, eram promovidas competições e celebrações aos deuses durante cinco dias. Corrida no estádio, corrida com armas, salto em distância, lançamento de disco, box, luta, corrida de bigas, montaria e pentatlo, entre outras, eram as modalidades desses pioneiros Jogos Olímpicos.

Durante os jogos era observada a Ekekheria ou Trégua Olímpica. Três Espondoforos, ou Mensageiros da Paz, partiam de Olímpia para avisar a todo povo que o período de trégua havia começado. O uso de armas era então proibido naquele momento. Com a interrupção das atividades militares, os soldados retornavam a seus quarteis. Poucas vezes essa trégua foi rompida, nos mais de mil anos de duração dos Jogos Olímpicos da antiguidade.

A vinculação entre esporte e paz estava presente na inauguração das Olimpíadas modernas pelo Barão de Coubertin, no final do século 19. Depois de um tempo de esquecimento, durante o longo período da Guerra Fria, o ideal da Trégua Olímpica foi retomado com vigor nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992.

A Europa estava atormentada com o início de intensos conflitos armados na antiga Iugoslávia e o então presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o espanhol Juan Samaranch, liderou o pedido de retomada da Trégua Olímpica, aprovada pela Assembleia da ONU em 25 de outubro de 1993. Desde então, em toda véspera de Jogos Olímpicos as Nações Unidas retomam o apelo à Trégua Olímpica.

Em 2000, foi criada a Fundação Internacional para a Trégua Olímpica, fruto de parceria entre o COI e o governo da Grécia. O atual presidente do COI, Jacques Rogge, é o presidente do Conselho Internacional da Fundação.  Atenas é a sede da organização, que em 26 de julho de 2012, nas vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, reiterou em mensagem o sentido da Trégua Olímpica, dirigindo-se especialmente à situação na Síria.

Naquela ocasião, a Fundação Internacional para a Trégua Olímpica fez um apelo para “todos os lados na Síria para honrar a trégua olímpica”. Para a Fundação, a suspensão das hostilidades, se ocorresse apenas durante a duração dos Jogos Olímpicos, poderia criar um “espaço para negociações para resolver a crise pacificamente”. Um cessar-fogo, continuou a mensagem, representaria “dar esperança e perspectivas para as pessoas sitiadas da Síria por um futuro brilhante e pacífico“.

Não deve ser diferente agora, nas vésperas das Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em que o plante vive situações de guerra e terror em várias regiões, atingindo inclusive a Europa, e também lembrando-se as milhares de mortos anualmente no Brasil pela violência.

Como aconteceu durante os sucessivos conflitos nas repúblicas que integravam a antiga Iugoslávia, e que duraram até 2001, a Trégua Olímpica não foi observada na prática por ocasião dos Jogos de Londres em 2012. Durante a então Trégua Olímpica, continuaram ocorrendo a guerra civil na Síria e conflitos em países como Somália, Sudão, Sudão do Sul e Mali. De qualquer modo, o sonho pela paz impulsionada pelo esporte continua, com o sentido da Trégua Olímpica resgatado.

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