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Tomá na Banda completa 31 anos com homenagem a Camilo Chagas
Tomá na Banda: 31 anos de alegria e cultura em 2015 (Foto Martinho Caires)

Tomá na Banda completa 31 anos com homenagem a Camilo Chagas

Neste sábado de Carnaval, 6 de fevereiro, a Tomá na Banda sairá de novo pelas ruas do Cambuí, pelo 31º ano consecutivo, mas pela primeira vez sem Camilo Chagas, um dos seus fundadores. Ele faleceu no ano passado, logo após o desfile, e será homenageado pelo bloco que busca ser fiel a suas origens e ao conceito de brincar na rua. Com o cancelamento do desfile de escolas de samba em várias cidades da região, a expectativa é de que o Tomá na Banda reúna mais de oito mil pessoas, a partir das 14 horas, em mais um evento do maior Carnaval de blocos das últimas décadas em Campinas.

Além da falta de sua grande liderança, o Tomá na Banda enfrenta em 2016 os desafios derivados do corte de verbas por parte da Prefeitura para o Carnaval, em função da contenção de gastos motivada pela crise econômica no país. Aliás, não por acaso, o tema do Tomá neste ano é “O povo está de saco cheio, de confete e serpentina”, uma óbvia alusão ao cenário político e econômico nacional.

A multidão que invadiu o Centro de Convivência, no Cambuí, em 2015 (Foto Martinho Caires)

A multidão que invadiu o Centro de Convivência, no Cambuí, em 2015 (Foto Martinho Caires)

Uma das únicas fontes de receita do Tomá na Banda em 2016 é a venda de camisetas. A direção do bloco espera que a comercialização de unidades seja suficiente para pelo menos cobrir o volume de despesas envolvidas.

O músico Ido Luiz, um dos membros da diretoria, observa que o Tomá na Banda continuará em sintonia com seu DNA, que é o de “brincar o Carnaval na rua com marchinhas e os sambas tradicionais”. Axé, por exemplo, está fora. Não há trio elétrico, mas percussionistas e outros músicos no asfalto, para animar os foliões.

Ido Luiz defende que haja “uma grande conversa” entre os blocos, a Secretaria Municipal de Cultura e outros órgãos públicos envolvidos com o Carnaval, de modo que a festa de 2017 “seja boa para todo mundo, sem conflitos”.

A concentração do Tomá na Banda será às 14 horas, no Centro de Convivência Cultural. O desfile começa às 17 horas, com percurso pelas ruas General Osório, Antônio Cesarino e Benjamin Constant, prosseguindo pela avenida Francisco Glicério e rua Conceição, e retorno e encerramento a partir das 18 horas.

Energia e irreverência no Tomá na Banda 2015 (Foto Martinho Caires)

Energia e irreverência no Tomá na Banda 2015 (Foto Martinho Caires)

1985. Primeiro ano depois do fim da ditadura militar que por 20 anos reprimiu a alegria e a criatividade. O grupo de cantores, músicos, artistas em geral e, principalmente, amigos, que se reunia no Bar Ilustrada resolveu ir para a rua, para celebrar um Carnaval diferente. Três décadas depois, um vigor redobrado dos foliões.

Por anos o Ilustrada foi uma referência cultural na cidade, sob a liderança de Camilo Chagas, que também está na origem do Tomá na Banda. O bar foi homenageado no desfile de 2013. Em 2014, foi a vez de honrar a trajetória do próprio Camilo, falecido logo após o Carnaval de 2015.

Há oito anos o Tomá conta com sua própria banda, com a reunião de 15 músicos. Tudo para animar o Carnaval de rua e garantir a continuidade da festa eterna do Bar Ilustrada, que nas décadas de 1980 e 1990 trouxe a Campinas nomes como Arrigo Barnabé, Jards Macalé, Cida Moreira, Vania Bastos, Passoca, Tom Zé, Paulinho Nogueira e Luis Melodia, entre outros.

A fina flor da vanguarda e da tradição, a essência da música brasileira. O Tomá na Banda é a continuidade dessa abertura para a diversidade cultural verde-amarela.

Preparando para colocar a banda na rua: o esquenta de 2015 (Foto Martinho Caires)

Preparando para colocar a banda na rua: o esquenta de 2015 (Foto Martinho Caires)

 

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