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Britânicos decidem sair da UE, Cameron renuncia e Escócia e Irlanda do Norte ameaçam ter novo referendo

Britânicos decidem sair da UE, Cameron renuncia e Escócia e Irlanda do Norte ameaçam ter novo referendo

Claudia Colen, de Londres especial para ASN

Com um comparecimento recorde às urnas, o que era esperado, o Reino Unido votou pela saída da União Europeia (Brexit). 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit contra os 48% que queriam continuar na UE. Mas há uma enorme e preocupante contradição: na Irlanda do Norte e na Escócia foram expressivas os resultados a favor da permanência na União Europeia (55%, 44%) e (68%, 38%)  respectivamente.

A Escócia já ameaça a fazer um novo referendo para deixar o Reino Unido e a Irlanda do Norte pode ir pelo mesmo caminho se quiser. Isso acontecerá caso ambos os países entendam que economicamente há mais vantagens em permanecer como membros da União. Na capital inglesa, Londres, a votação também revelou uma clara preferência pela permanência. Na contagem final o Brexit ganhou com uma diferença de cerca de um milhão de votos e o país acordou assustado.

O Primeiro Ministro David Cameron já anunciou renúncia e embora tenha feito campanha pela permanência, grande parte da opinião pública o acusa de ser inconsequente por ter prometido em campanha eleitoral e permitido a realização desse referendo em tempos de austeridade e crise. Nesta manhã ele disse:  “O povo britânico votou para sair da UE e a sua vontade deve ser respeitada. No meu ponto de vista eu acho que devemos ter um novo primeiro-ministro no Congresso do Partido Conservador em outubro.”

Brexit 2

O que se pode esperar de agora em diante? Neste momento, a única certeza é a de que haverá turbulência em todo o espaço europeu e pelo menos dois anos de negociações com a União Europeia até que o Reino Unido saia definitivamente do espaço comum.

No melhor cenário, as negociações caminhariam para acordos similares aos da UE com países como Suíça e Noruega que fazem parte da área econômica da União, mas não se sujeitam às decisões do Parlamento Europeu em Bruxelas. De qualquer forma, há uma certa amargura nos discursos dos líderes dos demais países  da UE que temem uma possível debandada de outros membros e apontam as desvantagens que o Reino Unido terá nos próximos anos.

Nos mercados financeiros pela Europa, hoje de manhã, o índice FTSE caiu 11,7% e o das chamadas empresas de capitalização média caíram uns surpreendentes 2.017 pontos para 15.309 já nos primeiros minutos de transações.( http://jornaldoluxemburgo.com/).

É possível que a instabilidade por aqui e a queda de valor da libra em relação ao dólar beneficie o Brasil na captação de investimentos. A longo prazo, sob um ponto de vista mais otimista, os acordos bilaterais entre Brasil e Reino Unido podem até ser ampliados sem a intervenção das reservas de mercado impostas pela UE, porém a economia global como um todo será afetada por um posível enfraquecimento da moeda única europeia, o euro. Cedo ainda para apostar.

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