Seguradoras brasileiras lideram iniciativa global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Forte seca atinge o Nordeste há cinco anos (Foto Adriano Rosa)

Seguradoras brasileiras lideram iniciativa global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Por José Pedro Soares Martins

Campinas, 20 de outubro de 2017 – Uma seca que dura cinco anos no semiárido do Nordeste brasileiro, afetando milhões de pessoas e ameaçando a distribuição de energia em função da queda vertiginosa no volume dos reservatórios localizados na região. Nova temporada devastadora de furacões (com destaque para o Irma) atingindo o Caribe e os Estados Unidos, entre agosto e setembro de 2017, com bilhões de dólares em perdas e centenas de mortes. Estes são apenas dois dos impactos das mudanças climáticas de caráter global, que estão exigindo atenção e mobilização cada vez maior da comunidade internacional e de todos os setores da economia. Pois uma iniciativa planetária voltada para enfrentar não apenas as mudanças climáticas, mas também para contribuir com o conjunto dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, vem sendo implementada pela indústria de seguros, com importante protagonismo das seguradoras brasileiras.

A iniciativa foi batizada de Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI) e é resultado de uma ação desenvolvida no âmbito da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), que entre 2006 e 2009 realizou uma série de estudos visando identificar os riscos e oportunidades para o setor de seguros, ligados à integração das questões ambientais, sociais e de governança (ASG). Entre 2009 e 2011 os estudos foram aprofundados e muito discutidos entre os componentes da UNEP FI e em 19 de junho de 2012 os PSI foram então lançados, no momento de realização, no Rio de Janeiro, do 48º Seminário Anual da International Insurance Society e da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Foi na Rio+20 que a comunidade internacional aprovou a implementação, até 2030, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como sucedâneos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que vigoraram entre 2000 e 2015.

O propósito central dos PSI é, de fato, direcionar e fomentar o engajamento da indústria global de seguros no território da sustentabilidade, considerando a própria inclinação do segmento à gestão de riscos e a necessidade de enfrentamento dos desafios contemporâneos, de alcance global, como as mudanças climáticas mas também outros. Os PSI foram imediatamente aceitos pelo segmento, inclusive por terem nascido no contexto da UNEP FI, maior articulação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente com a área empresarial (site de PSI/UNEP FI, aqui).

OS QUATRO PRINCÍPIOS PARA SUSTENTABILIDADE EM SEGUROS

Princípio 1 – Incluiremos em nosso processo de tomada de decisão questões ambientais, sociais e de governança que sejam relevantes para nossa atividade em seguros.

Princípio 2 – Trabalharemos em conjunto com nossos clientes e parceiros comerciais para aumento da conscientização sobre questões ambientais, sociais e de governança, gerenciamento de riscos e desenvolvimento de soluções.

Princípio 3 – Trabalharemos em conjunto com governos, órgãos reguladores e outros públicos estratégicos para promover ações amplas na sociedade sobre questões ambientais, sociais e de governança.

Princípio 4 – Demonstraremos responsabilidade e transparência divulgando com regularidade, publicamente, nossos avanços na implementação dos Princípios.

Logo a indústria de seguros no Brasil se sensibilizou pelas diretrizes indicadas nos PSI e o país se tornou aquele com maior número de empresas do segmento signatárias dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros. São 57 companhias signatárias em todo mundo, sendo 11 do Brasil: Bradesco Seguros, Brasilcap, Caixa Seguradora, Grupo Segurador Banco do Brasil e MAPFRE, Itaú Seguros, Liberty Seguros, Mongeral AEGON, Porto Seguro, Seguradora Líder, SulAmerica e Terra Brasis Resseguros. O segundo país com maior número de seguradoras signatárias dos PSI é a Holanda, com seis empresas.

Duas instituições brasileiras também assinaram os PSI e, portanto, passaram a difundir os princípios nos seus perímetros de atuação: a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), associação civil, com atuação em todo o território nacional, que reúne as Federações representativas das empresas dos respectivos segmentos. O Brasil tem três representantes no board de 14 membros da Iniciativa PSI: Rodolfo Ern (Bradesco Seguros), Fatima Lima (Grupo Segurador Banco do Brasil e MAPFRE) e Tomas Carmona (SulAmérica).

Capa de um dos estudos já produzidos no âmbito dos PSI-UNEP FI

Capa de um dos estudos já produzidos no âmbito dos PSI-UNEP FI

Impactos nas seguradoras – Após a adesão aos PSI, seguradoras brasileiras ampliaram ou aprimoraram  ferramentas de atuação, visando incorporar as questões de sustentabilidade em suas práticas e estratégias. “Desde que se tornou signatária do PSI em 2015, a Brasilcap vem adotando modelos de gestão, ações e ferramentas para evolução dos indicadores socioambientais”, nota a Gerente Executiva de Comunicação e Marketing da Brasilcap, Elena Korpusenko. A Brasilcap é uma empresa de capitalização, mas também é regulada pela SUSEP e portanto pode aderir aos PSI.

Elena informa que, neste ano, os indicadores Ethos (propostos pelo Instituto Ethos) mais trabalhados foram os dos processos de comunicação, compras, riscos, controles internos, gestão de pessoas e responsabilidade socioambiental. “Com a evolução dos indicadores, as questões ASG (ambientais, sociais e de governança) vêm se enraizando em nossos processos” afirma Elena Korpusenko. A Gerente diz que um exemplo de alinhamento da comunicação da Brasilcap é que “todas as notícias publicadas em nosso portal corporativo destinado ao público interno levam um carimbo para identificar as questões ASG. O conteúdo é classificado de acordo com o respectivo pilar da sustentabilidade”. Desde que a Brasilcap aderiu aos PSI, completa, mais de 36 indicadores socioambientais foram tratados para “fortalecer e garantir o comprometimento com as questões ASG”.

Do mesmo modo, a Mongeral Aegon evolui suas ações para promover a integração das questões ambientais, sociais e de governança (ASG) nos negócios de seguros. “Possuímos um Programa de Voluntariado que contempla atividades de responsabilidade social proporcionadas por colaboradores da companhia durante a Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Esse programa já beneficiou mais de duas mil pessoas e 30 instituições”, relata Isabela Eyer, gerente de Controles Internos e Compliance da seguradora.

Isabela Eyer salienta que, quanto aos aspectos de Governança, a Mongeral Aegon possui uma série de normas e procedimentos para todos os funcionários e corretores, que incluem uma cartilha de Prevenção e Combate a Fraudes, Lavagem de Dinheiro e Financiamento ao Terrorismo e políticas de controles internos e de alçadas. Além desses documentos, a companhia possui uma diretoria específica para o auxílio e gerenciamento das práticas de governança e controles internos, e também, um canal de denúncia que garante o anonimato do informante.

A gerente de Controles Internos e Compliance da Mongeral Aegon acrescenta que, de forma alinhada aos princípios de crescimento sustentável, a companhia investiu, nos últimos anos, na comercialização dos seus produtos através de canais digitais, utilizando plataformas de vendas online e aplicativos. “Essa postura estimulou a redução da utilização e emissão de documentos impressos, normalmente utilizados na comercialização de seguros e previdência”, acrescenta.

Capa dos "Cadernos de Sustentabilidade" do Grupo Bradesco Seguros

Capa dos “Cadernos de Sustentabilidade” do Grupo Bradesco Seguros

Efeitos foram igualmente sentidos na Bradesco Seguros, que há anos atua com questões ligadas à sustentabilidade. Com o “Cadernos de Sustentabilidade” (http://bradescoseguros.com.br/sustentabilidade), lançado recentemente na internet, o Grupo Bradesco Seguros “reuniu em um só lugar a série de ações, que desenvolve ou patrocina, baseadas nos Princípios para a Sustentabilidade em Seguros”, lembra o Diretor Executivo do Grupo Bradesco Seguros, Eugênio Velasques, responsável pela área de Sustentabilidade.

Cidades e microsseguros – A rede de organizações apoiadoras dos princípios e diretrizes unidos na Iniciativa PSI  tem crescido nos últimos tempos. Em maio de 2017, a Iniciativa PSI e a UNEP FI estiveram representadas na cidade de Bonn, na Alemanha, na primeira reunião de cúpula marcando a colaboração entre a indústria de seguros e as cidades para a construção de aglomerados urbanos resilientes e sustentáveis. No encontro foi estabelecida a parceria entre Iniciativa PSI e UNEP FI com a ICLEI – Governos Locais para a Sustentabilidade, uma rede que representa mais de 1.500 municípios de todo o mundo (www.iclei.org).

Na cidade alemã, as novas parceiras lançaram o documento “Ambição de Bonn”, com três objetivos a serem atingidos até 2018, quando ICLEI realiza seu próximo Congresso Mundial em Montreal, no Canadá. Os objetivos são: 1. Criar os Objetivos de Desenvolvimento de Seguros para as Cidades – A ideia é que ICLEI e a Iniciativa PSI convertam o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11 (“Construir cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis”) em Objetivos de Desenvolvimento de Seguros, norteando uma agenda de longo prazo entre a área de seguros e as cidades, para enfrentar por exemplo o agravamento do aquecimento global e reduzir os riscos de catástrofes naturais nos centros urbanos; 2. Desenvolver roteiros de ação colaborativa e estratégica entre as cidades e o setor de seguros; e 3. Organizar a primeira mesa-redonda entre CEOS da indústria de seguros e lideranças globais das cidades, no Congresso Mundial de ICLEI em Montreal, visando aprofundar a parceria.

Outra ação recente, decorrente dos esforços das seguradoras que compõem a Iniciativa PSI, é a parceria estabelecida com a Microinsurance Network (Rede de Microsseguros). A parceria foi firmada no final de agosto de 2017 e tem como propósito avançar, nos planos social e financeiro, na inclusão do seguro sustentável na agenda internacional, objetivando reduzir o fosso entre as perdas econômicas decorrentes de desastres e as perdas seguradas. De acordo com a Swiss Re, essa diferença foi de US$ 121 bilhões em 2016, com tendência de crescimento em razão das incertezas decorrentes do aquecimento global e outros fatores.

“O desenvolvimento sustentável exige reconhecer que a sustentabilidade econômica, social e ambiental
estão interligados e se reforçam mutuamente. Portanto, a erradicação da pobreza, a equidade social, a boa saúde,
redução do risco de desastres e adaptação e mitigação das mudanças climáticas fazem parte de uma agenda unificada. Neste contexto, a inclusão social e financeira tem sido um pilar integral da agenda do seguro sustentável
desde o início “, disse Butch Bacani, que lidera a Iniciativa PSI no UNEP, por ocasião da parceria com a Microinsurance Network.

A Iniciativa PSI e a Microinsurance Network vão, assim, identificar várias áreas de colaboração, incluindo
compartilhamento de conhecimento, engajamento de políticas, capacitação e eventos. Microinsurance Network ajudará, por exemplo, nos esforços de PSI e ICLEI para criar, até 2018, os Objetivos de Desenvolvimento de Seguros para as Cidades, visando ajudar a  construir cidades inclusivas, resilientes e sustentáveis.

Energia eólica avança no Nordeste: símbolo de um novo tempo para a produção energética no Brasil e no mundo (Foto Adriano Rosa)

Energia eólica avança no Nordeste: símbolo de um novo tempo para a produção energética no Brasil e no mundo (Foto Adriano Rosa)

Desafios – Apesar dos avanços contabilizados, ainda existe um longo percurso para a indústria de seguros no Brasil assumir, em sua integridade, os princípios e diretrizes indicados na Iniciativa PSI, ou seja, para incorporar estratégias de sustentabilidade em seus negócios. Isto ficou evidente na pesquisa que a SUSEP fez junto às entidades de seguros reguladas no país.

A pesquisa colheu respostas de 75% de 172 companhias de seguros brasileiras e revelou que 80% das empresas consideram as questões ambientais como relevantes para suas estratégias globais de negócios, mas “muito poucas implementaram políticas ou mecanismos para considerar e mitigar os impactos das mudanças climáticas na política de subscrição, gerenciamento de riscos ou decisão de investimento”, segundo informou o relatório “Sustainable Insurance – The emerging agenda for supervisors and regulators”, lançado em agosto de 2017 pelo Fórum de Seguro Sustentável (SIF, na sigla em inglês), criado com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e Iniciativa PSI (relatório aqui).

A pesquisa da SUSEP mostrou, segundo o relatório do Fórum de Seguro Sustentável, que, enquanto as empresas brasileiras “são mais ativas no lado do design do produto – com alguns líderes empresas que oferecem produtos de seguros para apoiar atividades de baixo carbono ou implementando políticas de subscrição ligadas aos aspectos ambientais – menos progressos foram feitos na incorporação dos riscos ASG (ambiental, social e governança corporativa) no processo de subscrição e dentro do espaço de investimento”.

Diante deste cenário, a SUSEP indica que vai intensificar suas ações junto ao setor de seguros, visando reforçar a incorporação de estratégias de sustentabilidade, através de: 1) Melhoria da divulgação através de relatórios aprimorados; 2. Incentivar as empresas a desenvolver produtos para apoiar atividades com baixas emissões de carbono; 3. Incentivar investimentos verdes; 4. Promover a integração dos riscos ambientais na política de subscrição; e 5. Aumentar a conscientização dos segurados, intermediários e parceiros de negócios sobre questões de sustentabilidade.

SEGUROS NO CUMPRIMENTO DOS ODS

A indústria de seguros não contribui na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável somente com as ações mais amplas, vinculadas a iniciativas como os PSI. É no cotidiano dos cidadãos, sociedades e governos que os benefícios dos seguros se manifestam mais claramente, contribuindo assim para o cumprimento dos 17 ODS e suas 169 metas e, como consequência, para a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, inclusivo e justo. Também é neste campo que ficam evidentes os muitos desafios e oportunidades ainda existentes para uma maior atuação da indústria de seguros na implementação dos ODS.

Soja, um dos principais componentes do agronegócio brasileiro (Foto Adriano Rosa)

Soja, um dos principais componentes do agronegócio brasileiro (Foto Adriano Rosa)

ODS 1 – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares – A pobreza tem várias faces e dimensões. O documento “Insurance 2030 – Harnessing Insurance for Sustainable Development” (aqui), elaborado pela plataforma PSI/UNEP FI, afirma em relação ao ODS 1: “O acesso a seguros pode aumentar a proteção social, através de mecanismos como o microsseguro”. Algumas ações em esfera global no âmbito do setor de seguros, relacionadas ao ODS 1, são elencadas no documento “SDG Industry Matrix – Financial Services”, produzido pelo Global Compact das Nações Unidas e KPMG International (documento aqui).

O documento relaciona por exemplo a Blue Marble Microinsurance, uma incubadora de microsseguros desenvolvida por um consórcio de seguradoras e resseguradoras para conduzir produtos, distribuição e inovação operacional no lançamento de novos empreendimentos de microsseguro nos próximos anos. O consórcio inclui o Zurich Insurance Group; Yes; American International Group, Inc .; Aspen Insurance Holdings Limited; Guy Carpenter & Company; LLC & Marsh & McLennan Companies, Inc .; Hamilton Insurance Group Ltd .; Old Mutual plc .; Transatlantic Reinsurance Company; e XL Catlin. A tecnologia é uma parte integrante e importante do projeto.

Outra ação vem sendo desenvolvida na esfera da International Cooperative and Mutual Insurance Federation’s (ICMIF). É a iniciativa Estratégia de Desenvolvimento 5-5-5, que visa ampliar o alcance do microsseguro como uma ferramenta crucial para o desenvolvimento socioeconômico. ICMIF está usando seus conhecimentos de desenvolvimento técnico para identificar necessidades, desenvolver estratégias e relacionamentos com parceiros locais, visando ações ações específicas em microsseguro (em particular, saúde e seguro de vida) para beneficiar populações de baixo rendimento em cinco países, que teriam dificuldades para enfrentar grandes desastres: Índia, Filipinas, Sri Lanka, Quênia e Colômbia.

ODS 2 – Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável – O seguro agrícola é tradicional no Brasil e um dos elementos que tornaram o agronegócio brasileiro um dos mais fortes no mundo. No documento “Seguro agrícola no Brasil e o desenvolvimento do Programa de Subvenção ao Prêmio”, publicado pelo IPEA (aqui), Gesmar Rosa dos Santos, Alexandre Gervásio de Sousa e Gustavo Alvarenga ressaltam que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (em inglês, Food and Agriculture Organization – FAO) “tem destacado a importância do seguro para aumento da produção de alimentos. De acordo com Kang (2007), há sete motivos para as preocupações da FAO, que são: i) aumento da incidência de pragas, de eventos climáticos extremos e de especialização de cultivos em mercados integrados; ii) integração da agricultura com grandes investidores que exigem seguro como redutor de riscos dos contratos; iii) regulamentos da Organização Mundial do Comércio (OMC) aceitando subsídios de governos ao seguro, um tanto ao contrário da orientação geral para a agricultura; iv) incremento de cultivos passíveis de coberturas e novos produtos oferecidos pelas seguradoras; v) introdução acidental de pragas e doenças de um país para outro; vi) expansão de padrões de qualidade e segurança alimentar com proteção ambiental, inclusive com maior controle de fertilizantes, agroquímicos e medicamentos para animais; e vii) liberalização do comércio agrícola levando ao aumento da competição e necessidade de se reduzir riscos”. Enfim, os autores entendem que o seguro agrícola vai adquirir importância cada vez maior para a segurança alimentar global. Permanece contudo o desafio de ampliação do seguro para a agricultura familiar.

Geralda Diogo, 95 anos. em atividade no Programa Saúde Toda Vida da Unimed Campinas (Foto José Pedro S.Martins)

Geralda Diogo, 95 anos. em atividade no Programa Saúde Toda Vida da Unimed Campinas (Foto José Pedro S.Martins)

ODS 3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades – São várias seguradoras que estão impulsionando ações em promoção da vida saudável. Por exemplo, o Instituto de Longevidade, iniciativa lançada em 2016 pela Mongeral Aegon, está voltado ao público com mais de 50 anos, “propondo ações que tragam melhorias efetivas para a qualidade de vida da população brasileira, especialmente nas questões relativas à geração de oportunidades de trabalho e no desenvolvimento sustentável das cidades”, define a gerente de Controles Internos e Compliance da seguradora, Isabela Eyer.

Entre os princípios que orientam a atuação do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon está o de que “manter-se ativo e engajado é decisivo para que as pessoas preservem a saúde física, mental e cognitiva”. Entre as ações do Instituto está o oferecimento de cursos de requalificação, empreendedorismo e de atividade física para a população 50+.

Natalino Jesus Borges, 82 anos: outra vida depois de se integrar à iniciativa da Unimed Campinas (Foto José Pedro S.Martins)

Natalino Jesus Borges, 82 anos: outra vida depois de se integrar à iniciativa da Unimed Campinas (Foto José Pedro S.Martins)

Um exemplo prático nesta área é o Programa Saúde Toda Vida, realizado pela Unimed Campinas, líder em saúde suplementar na região de Campinas (SP), com mais de 700 mil vidas em sua carteira de clientes. O Programa foi criado ainda em 1999 e a cada ano busca oferecer mais atividades para atingir o objetivo de promover a qualidade de vida na população com mais de 55 anos, sendo clientes ou não da operadora.

A iniciativa atende a pessoas como Geralda Diogo, 95 anos, desde os 65 aposentada como faxineira autônoma. Ela chegou ao Programa Saúde Toda Vida através de uma amiga de outro programa para Terceira Idade, na unidade local do SESC, e diz que não perde nenhum dia de atividade. “Não perco por nada. Em primeiro lugar está Deus e depois é aqui, que é muito empolgante. Eu canto, danço e me divirto com os amigos”, relata Geralda, que recentemente foi eleita como a Rainha da Primavera do Programa.

Apresentação do Coral do Programa Saúde Toda Vida (Foto José Pedro S.Martins)

Apresentação do Coral do Programa Saúde Toda Vida (Foto José Pedro S.Martins)

O Saúde Toda Vida também representou uma mudança completa para Natalino Jesus Borges, 82 anos. Ele passou a frequentar as muitas oficinas oferecidas pelo Programa, em ginástica, reeducação alimentar e outras, após o falecimento de sua esposa, com quem foi casado por 57 anos. “Eu fiquei muito triste, sofri muito. Agora faço ginástica três vezes por semana, assisto as palestras, é tudo muito bom. E as assistentes sociais são muito bacanas”, define Natalino, conhecido por declamar poesias durante a programação, desenvolvida no Fonte São Paulo, um conhecido clube local.

Outra usuária do Programa é Maria Ofelia de Perez Alemani. Nascida perto de Córdoba, na Argentina, há 45 anos mora em Campinas, para onde o marido foi transferido quando ainda trabalhava em uma fábrica de autopeças. Ela confessa que descobriu o Programa Saúde Toda Vida quase por acaso, mas foi empatia imediata. “Os profissionais que atuam aqui são altamente qualificados, sempre temos palestras interessantes”, cita Maria Ofelia, que segundo o testemunho dos colegas de Programa é “uma ótima atriz” nas peças que o grupo prepara.

“Coral, teatro, ginástica, palestras, educação alimentar, reforço educacional, artesanato, cinema e dança são algumas das atividades que o programa oferece, além de uma oficina da memória, sempre visando um envelhecimento ativo”, afirma a assistente social Marcia Mainardes, coordenadora do Programa Saúde Toda Vida. Ela explica que o Programa atende em média 250 pessoas por semana, em atividades diárias.

ODS 4 – Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo dos anos – Seguradoras brasileiras têm desenvolvido importantes iniciativas educacionais próprias, além de oferecer o seguro educação. O Grupo Bradesco Seguros estabeleceu, nesse sentido, parceria com a Fundação Bradesco do Rio de Janeiro, para a implementação do Programa Integração Empresa Escola (PIEE), que contribui para a integração social, formação da cidadania e qualidade de vida, por meio do esporte e cultura, atualmente atendendo a 858 crianças entre atividades esportivas e culturais.

A principal ação social da Organização Bradesco é, com efeito, a Fundação Bradesco, que em 2017 celebrou 60 anos. Com 40 escolas beneficiando mais de 108 mil alunos, localizadas prioritariamente em regiões de alta vulnerabilidade social em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, voltadas para o ensino de crianças e jovens, “a Fundação tornou-se referência de educação no País e ilumina os caminhos da inclusão social, proporcionando o bem comum”, comemora o Diretor Executivo, Eugênio Velasques. Em 2016, a instituição beneficiou a 108.533 alunos na Educação Básica (da Educação Infantil ao Ensino Médio), na Educação de Jovens e Adultos e na Formação Inicial e Continuada dedicada à geração de emprego e renda.

ODS 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas – Durante o Seminário de Riscos e Oportunidades Emergentes, realizado no último dia 20 de setembro, de forma paralela à 8ª CONSEGURO, no Rio de Janeiro, foi lançada a cartilha “Boas Práticas para Diversidade no Mercado Segurador”, produzida pela CNseg. O documento (aqui) informa que, entre as 30 empresas pesquisadas para o Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros de 2016, 58% dos colaboradores eram mulheres. Entretanto, a participação feminina nos Conselhos de Administração e outros órgãos de governança é bem menor, indo de 40% na maior representação até 5% na menor. A cartilha elenca algumas propostas para que haja maior diversidade no cenário das seguradoras, inclusive em termos da representação feminina: 1. Buscar o apoio da alta administração; 2. Criar uma rede de apoio;  3. Elaborar política de apoio à diversidade e inclusão; 4. Promover a atenção ao viés inconsciente; 5. Desenvolver indicadores para a diversidade; 6.Redefinir as direções e objetivos; 7. Divulgar a diversidade; 8. Reconhecer as ações de diversidade; 9.Elaborar pilares de diversidade; e 10.Não desistir!

Em agosto de 2014, rio Piracicaba quase seco: impacto generalizado da forte estiagem, mostrando vulnerabilidade dos recursos hídricos às mudanças climáticas  (Foto José Pedro Martins)

Em agosto de 2014, rio Piracicaba quase seco: impacto generalizado da forte estiagem, mostrando vulnerabilidade dos recursos hídricos às mudanças climáticas (Foto José Pedro Martins)

ODS 6 – Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos – Área estratégica e desafiadora, na qual ainda existe grande espaço para a atuação do setor de seguros. O déficit fica evidente na informação de que mais de 100 milhões de brasileiros ainda não têm esgoto coletado e somente 42% dos esgotos coletados recebem tratamento. As perdas de água representam 36,7% da água distribuída. Os dados são do “Ranking do Saneamento – Instituto Trata Brasil 2017″ (aqui).

Uma das principais empresas públicas de saneamento do Brasil, a Sanasa, de Campinas, está caminhando para alcançar os 100% dos esgotos coletados e tratados e também com 100% de população atendida por água tratada no município. A empresa considera o seguro muito importante para suas atividades, destaca Marcos Lodi, coordenador de Comunicação da Sanasa. Perguntado sobre a prática de seguros na Sanasa, diante de eventuais desastres, ele informa que as instalações da empresa, como os prédios Sede, almoxarifado e setores descentralizados, contam com a cobertura do seguro. “Em relação às estações (de tratamento de água e esgoto), em função do custo-benefício e da baixa frequência de ocorrência desses desastres naturais, a Sanasa dispõe de equipes próprias que cuidam de quaisquer danos que possam vir a ocorrer”, completa Marcos Lodi.   

Compromissos do Brasil com redução de emissões ainda geram dúvidas (Foto Adriano Rosa)

Compromissos do Brasil com redução de emissões ainda geram dúvidas (Foto Adriano Rosa)

ODS 7 – Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos – O conjunto das seguradoras está atenta aos desafios de viabilização de uma energia limpa, sustentável, como um dos marcos da economia de baixo carbono. “Os principais desafios para a efetiva transição energética e prevenção de mudanças climáticas estão diretamente ligados aos custos envolvidos na operação”, destaca Isabela Eyer, gerente de Controles Internos e Compliance da seguradora Mongeral Aegon.

Isabela salienta, entretanto, que o departamento administrativo da Mongeral Aegon elaborou um estudo para a utilização de energia elétrica proveniente de captação solar nos prédios da matriz, localizada no centro do Rio de Janeiro. Segundo a gerente, o projeto consiste na locação de uma usina de energia solar produzida por uma empresa terceirizada.

ODS 8 – Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos –  A viabilização de ambientes agradáveis e inspiradores de trabalho para os colaboradores tem sido uma preocupação de seguradoras brasileiras. Em 2016 e 2017, a Mongeral Aegon figurou entre as 10 melhores empresas para se trabalhar no Rio de Janeiro, de acordo com pesquisa elaborada pela Great Place to Work.

Isabela Eyer, gerente de Controles Internos e Compliance da Mongeral Aegon, assinala que, para a seguradora alcançar essa posição, têm sido executadas atividades como Educação como agente indutor de transformação, Semana de Educação Financeira, Semana da Saúde, Campanha de Vacinação e o Instituto de Longevidade, entre outras.

Lançamento do livro digital sobre o desastre de Mariana na Unicamp (Foto José Pedro S.Martins)

Lançamento do livro digital sobre o desastre de Mariana na Unicamp (Foto José Pedro S.Martins)

ODS 9 – Construir infra-estruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação – O episódio de Mariana (MG), marcado pelo rompimento da barragem de Fundão, da empresa de mineração Samarco, a 5 de novembro de 2015, comprova que ainda há um grande espaço para a ação dos seguros na área industrial no Brasil. Os números são incertos, mas sabe-se que as apólices existentes cobriram pequena parte dos prejuízos, que segundo algumas estimativas superaram os R$ 20 bilhões. Após o rompimento da barragem, mais de 33 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram lançados imediatamente nos corpos hídricos, mas o despejo pode ter sido bem maior. O distrito de Bento Rodrigues foi destruído e 19 pessoas morreram. Os impactos ambientais na bacia do Rio Doce foram incomensuráveis.

Percurso da lama pelo rio Doce, até o dia 18 de novembro de 2015 (Fonte: ANA/CPRM)

Percurso da lama pelo rio Doce, até o dia 18 de novembro de 2015 (Fonte: ANA/CPRM)

As dimensões ambientais, sociais, econômicas, políticas e culturais do episódio foram comentadas no livro “Vozes e silenciamento em Mariana: crime ou desastre ambiental?”, lançado no dia 18 de outubro, com textos de 35 alunos do Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo (Labjor) da Unicamp. Roberto do Carmo, pesquisador do Núcleo de Estudos da População (Nepo) da Unicamp participou do lançamento, defendendo a tese de que o episódio constituiu um “desastre tecnológico socialmente produzido”, em função dos fatores que levaram ao rompimento da barragem de rejeitos. Para ele, o desastre tecnológico deixou evidente uma série de questões que precisam ser enfrentadas, em termos de planejamento urbano e de preocupações de ordem ambiental. Eventos do tipo podem se repetir e se multiplicar, acredita o pesquisador, no contexto dos eventos climáticos extremos. A questão dos seguros é um dos pontos que ainda precisam ficar mais claros, entende Roberto do Carmo, entre um conjunto de medidas para evitar “novas Marianas”. Apesar do ocorrido em Mariana, a proposta do novo Código de Mineração, apresentada pelo governo federal ao Congresso Nacional, excluiu a exigência de contratação de seguros no caso de desastres ambientais. “Estamos retrocedendo em várias áreas. Onde erramos?”, indaga-se o pesquisador da Unicamp Roberto do Carmo.

O edifício do Lar dos Velhinhos de Campinas que foi totalmente requalificado (Foto Martinho Caires)

O edifício do Lar dos Velhinhos de Campinas que foi totalmente requalificado (Foto Martinho Caires)

ODS 10 – Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles – Garantir a igualdade de direitos para todos, em todas as idades, é um desafio global e não é diferente no Brasil, onde o envelhecimento acelerado da população gera muitos dilemas em termos de ações para a qualidade de vida na Terceira Idade. De acordo com o IBGE, a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais no total da população saltou de 9,8% em 2005 para 14,3% em 2015. Em 2060 a população com mais de 80 anos será de mais de 19 milhões de brasileiros, estima o IBGE.

Boa parte das ações direcionadas para esse segmento no país é feita por instituições privadas, como o Lar dos Velhinhos de Campinas, que tem 103 anos de atividades e, atualmente, atende a 84 usuários, com uma idade média de 82 anos, superior à expectativa de vida do brasileiro, hoje de 75 anos, 5 meses e 26 dias, no último levantamento do IBGE.

O presidente do Lar dos Velhinhos de Campinas, Mauro Calais, observa que a preocupação com o uso de seguros é permanente na instituição e aumentou ainda mais em função da microexplosão atmosférica (ou mini-tornado) ocorrida na cidade na madrugada do dia 5 de novembro de 2016. O Lar dos Velhinhos foi uma das instituições diretamente atingidas pelo fenômeno, que foi associado às mudanças climáticas. “Tínhamos seguro e ele foi muito importante para cobrir parte dos custos de reconstrução do que foi atingido”, diz o presidente.

Mauro Calais afirma que o recurso ao seguro foi então uma das medidas essenciais no momento de preparação da primeira Mostra Mais Sustentável, realizada no Lar dos Velhinhos de Campinas entre 7 de setembro e 12 de outubro de 2017, com cerca de 30 expositores, entre arquitetos, designers e decoradores. A iniciativa envolveu 200 profissionais, sendo a principal ação voluntária em Campinas neste ano. O principal objeto da realização coletiva foi a reforma de um edifício que servia mais ou menos como depósito e passou por grande transformação, para abrigar toda a área administrativa do Lar, deixando os espaços antes ocupados por ela para as atividades-fim da instituição.

O “novo” edifício já está devidamente segurado, diz Mauro Calais. Ele adverte que as instituições devem estar atentas à atualização de documentos como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), fundamental para o momento do pagamento de seguros em caso de sinistro.

ODS 11 – Construir cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis – O alto índice de acidentes de trânsito, com milhares de mortes anuais, é um dos principais indicadores de que ainda falta muito para o Brasil ter cidades seguras e sustentáveis. Esta é uma área de intensa atuação do setor de seguros.

Entre janeiro e setembro de 2017, de acordo com o Boletim Estatístico da Seguradora Líder – DPVAT (aqui), foram pagas 31.004 indenizações por morte em acidentes, representando 29% a mais do que as 24.123 indenizações pagas pelo  no mesmo período do ano passado. Também foram pagas 220.153 indenizações por invalidez permanente de janeiro a setembro de 2017, 14% a menos do que o mesmo período de 2016. E foram pagas ainda 48.823 indenizações por despesas médicas nos primeiros nove meses de 2017, 7% a mais do que as 41.024 indenizações em 2016. A motocicleta representou 74% das indenizações, mesmo somando 27% da frota nacional. São números eloquentes da violência no trânsito no país.

Mas há muitos outros aspectos a considerar para a construção de cidades resilientes no Brasil. Quem afirma é o próprio coordenador da Campanha “Construindo Cidades Resilientes” no país, Sidnei Furtado Fernandes. A Campanha do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR/ONU) está baseada em dez passos, ou compromissos, que os municípios precisam assumir, ao decidirem aderir à iniciativa. São medidas para garantir a resiliência e reconstrução após desastres, como treinamento de equipes, construção de planos de uso do solo, educação e sensibilização das comunidades, proteção dos ecossistemas e dos serviços essenciais (saúde, educação e saneamento) e diagnóstico dos riscos, entre outras. Em setembro de 2017, com a adesão de Casa Branca (SP), o Brasil chegou à milésima cidade na Campanha da UNISDR. É o país com maior número de cidades inscritas.

“A questão do seguro é muito importante para a construção das cidades resilientes, embora ainda não seja uma prática comum na administração pública brasileira”, comenta Sidnei Fernandes. Ele cita uma das prioridades elencadas no Marco de Sendai, como ficou conhecido o conjunto de ações e diretrizes aprovado na Terceira Conferência Mundial sobre a Redução de Risco de Desastres, realizada em março de 2015 em Sendai, no Japão. A Prioridade 3 (“Investir na redução do risco de desastres para a resiliência”) inclui o item: “Promover mecanismos para a transferência de riscos de desastres e seguros, compartilhamento de riscos e retenção e proteção financeira, conforme apropriado, para investimento público e privado, a fim de reduzir o impacto financeiro dos desastres sobre os governos e as sociedades, em áreas urbanas e rurais”.

O Marco de Sendai foi formulado justamente para o período 2015-2030. O coordenador da Campanha no Brasil entende que os seguros são essenciais, por exemplo, na reconstrução de estruturas afetadas por desastres. “Mas não se trata apenas de reconstruir, mas de reconstruir melhor, diferente”, acrescenta Sidnei Fernandes.

ODS 12 – Assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis – Seguradoras brasileiras estão implementando ações que contribuem para o cumprimento deste Objetivo de Desenvolvimento Sustentável.  Já em 2009, o Grupo Bradesco Seguros lançou o Programa de Auto Reciclagem, introduzindo no mercado segurador nacional a prática de reciclar peças resultantes de reparos de carros, caminhonetes, caminhões e motocicletas, danificados em acidentes com segurados e terceiros.

Por meio do programa, foram doadas para empresas de reciclagem, até junho de 2017, mais de 14 mil toneladas de peças recicláveis. O Diretor Executivo, Eugênio Velasques, enfatiza que o Grupo  não recebe nenhuma renda da venda dessa sucata. “Todas as peças são doadas a empresas de reciclagem. O programa também gera renda para catadores, recicladores e para as próprias siderúrgicas e indústrias afins, que economizam energia ao receberem esses materiais já separados”, esclarece.

O mesmo Grupo Bradesco Seguros oferece o “Assistência Sustentável”, um serviço domiciliar de descarte ecológico correto de bens em desuso, como: móveis, colchões e equipamentos eletrodomésticos. Este serviço é destinado aos clientes do Residencial e, além disso, o segurado recebe dicas de economia de água e energia e reciclagem de lixo doméstico. “O processo é simples. Feito o agendamento da coleta, os bens são retirados e os materiais, desmontados para a separação das partes a serem reaproveitadas ou encaminhadas para descarte, no caso de material não reciclável. O serviço é oferecido na contratação ou renovação​ do ​produto ​Bradesco Seguro Residencial​, sem custo adicional.”, comenta o Diretor Executivo Eugênio Velasques.​ Atualmente, a carteira do Grupo Segurador conta com mais de 1,5 milhão de residências seguradas. “Com o Assistência Sustentável, o segurado​ alia o conforto de ser atendido em casa à garantia de que os materiais descartados serão devidamente reciclados”, completa o Diretor.

ODS 13 – Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos – Como nota o Diretor Executivo do Grupo Bradesco Seguros, Eugênio Velasques, Relatório “Insurance 2030 – Harnessing Insurance for Sustainable Development”, desenvolvido pela UNEP Inquiry (ver documento aqui), divulgado em setembro de 2016, destaca que a mudança climática pode ser o fio condutor para a inovação e o estímulo de novas formas regulatórias de seguro em vários países. “Os exemplos podem vir no formato de seguro para projetos de energia limpa, edifícios verdes, veículos elétricos e híbridos, transportes de baixa emissão de carbono e produtos de estímulo à construção verde, entre outros”, frisa Eugênio Velasques.

No caso do Grupo Bradesco Seguros, a companhia criou, em 2015, a operação “Atendimento em Situação Climatológica Severa” – ou “Operação Calamidade”, idealizada para facilitar a vida dos clientes vítimas de qualquer imprevisto decorrente de ventania, enchentes ou raios, entre outras manifestações climatológicas. A “Operação Calamidade”, de acordo com o Diretor Executivo do Grupo Bradesco Seguros, consiste em identificar, analisar e priorizar situações decorrentes de uma catástrofe, “concentrando os esforços para, no menor tempo possível, quantificar e indenizar clientes envolvidos em tragédias naturais, como um telhado danificado por vento, por exemplo”.

Por seu caráter inovador, entre outros reconhecimentos a “Operação Calamidade” foi agraciada na primeira edição do Prêmio Innovation in Insurance Awards 2016, lançado pela Associação Europeia de Gestão Financeira e Marketing (EFMA, na sigla em inglês), associação global de bancos e seguradoras. O Grupo Bradesco Seguros concorreu na categoria Claims Management (Gestão de Sinistros), conquistando o troféu Silver, durante evento em Milão.

Tartaruga marinha na base do Projeto Tamar em Ubatuba (Foto José Pedro S.Martins)

Tartaruga marinha na base do Projeto Tamar em Ubatuba (Foto José Pedro S.Martins)

ODS 14 – Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável – Proteger os oceanos e mares e sua rica biodiversidade representa um dos grandes desafios globais para o século 21. No Brasil, uma das práticas mais reconhecidas nesse campo é o Projeto Tamar/ICMBio, que há 30 anos se dedica à pesquisa voltada para a preservação das tartarugas marinhas, ameaçadas pela gigantesca presença de lixo nas águas e pela pesca predatória, entre outros fatores.

O Projeto Tamar começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Conta com o patrocínio da Petrobras desde 1982, sendo atualmente por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Hoje o projeto é a soma de esforços entre a Fundação Pró-TAMAR e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).

Praia do Cambury, em Ubatuba, uma das áreas de atuação dos pesquisadores do Projeto Tamar (Foto José Pedro S.Martins)

Praia do Cambury, em Ubatuba, uma das áreas de atuação dos pesquisadores do Projeto Tamar (Foto José Pedro S.Martins)

O Tamar protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

A oceanóloga Berenice Gomes da Silva, coordenadora da base do Projeto Tamar em Ubatuba, litoral de São Paulo, assinala que o recurso do seguro é parte integrante dos cuidados para as atividades profissionais da equipe. Ela informa que existem apólices de seguro para a frota de veículos da base, seguro de vida para todos os funcionários, seguro de vida/acidentes para estagiários, seguro de vida/acidentes para os jovens do Programa Nosso Papel de Futuro e planos de saúde e odontológico para quatro funcionários. A base do Tamar em Ubatuba tem apoio da Prefeitura Municipal e patrocínios da Arcor do Brasil e Instituto Arcor Brasil.

Mapa dos remanescentes florestais de Campinas, feito pela Embrapa Monitoramento por Satélite

Mapa dos remanescentes florestais de Campinas, feito pela Embrapa Monitoramento por Satélite

ODS 15 – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda da biodiversidade – Um dos grandes dilemas socioambientais no Brasil é garantir a proteção e recuperação da Mata Atlântica, que originalmente cobria todo o litoral brasileiro, com 1,3 milhão de quilômetros quadrados, e hoje está reduzida a menos de 10% da extensão original. O desafio é ainda maior em áreas densamente urbanizadas como o município de Campinas, onde restam menos de 5% de cobertura vegetal de Domínio Atlântico, segundo o levantamento feito pela Embrapa Monitoramento por Satélite.

No mapa desses remanescentes destaca-se como a maior área a da Mata de Santa Genebra. Com seus 250 hectares, é a maior mata nativa remanescente em Campinas (e a segunda em área urbana no país) e sua proteção é o objetivo da Fundação José Pedro de Oliveira. A Mata é abrigo para 298 espécies catalogadas de vertebrados e 492 de invertebrados. São 171 espécies arbóreas e arbustivas e 48 espécies de lianas. A Fundação José Pedro de Oliveira tem uma sede na entrada da mata e o presidente da instituição, Sinval Dorigon, afirma que estão em curso procedimentos para a oficialização do seguro das instalações.

De fato aumentou em Campinas a preocupação com seguros de instalações de órgãos públicos e organizações não-governamentais, após os impactos da microexplosão atmosférica de 5 de junho de 2016. O fenômeno climático derrubou parte da estrutura do Educandário Eurípedes, Creche Mãe Luiza e do Lar dos Velhinhos de Campinas, além de atingir empresas e casas do Condomínio Caminhos de San Conrado.

“Logo após o fenômeno aconteceu um boom na procura de seguros novos e de aumento da cobertura dos já existentes”, resume Bruno Pacheco Caraccio, que é corretor autônomo de seguros, com atuação há vários anos em Campinas e região. “Sempre após um evento atmosférico como esse acontece o aumento da procura. Já aconteceu em Indaiatuba, onde houve um tornado em 2005″, diz o corretor. Em maio de 2005, ventos de 250 quilômetros por hora atingiram Indaiatuba, um dos 20 municípios que compõem a Região Metropolitana de Campinas (RMC). Bruno nota que, ainda em consequência do evento climático de junho, “cresceu bastante a procura por seguro contra vendaval no Verão de 2016-2017″.

Outro exemplo de maior preocupação com seguros em Campinas, após o evento climático de junho de 2016, é o da Associação Amigos dos Animais de Campinas. A principal entidade local de defesa dos animais tem uma sede na Área de Proteção Ambiental de Campinas e parte das instalações é coberta por seguro, diz o vice-presidente, Flávio Lamas. “Com o seguro nós podemos trabalhar com maior tranquilidade”, diz o ativista em defesa dos animais, resumindo um sentimento de outras organizações que parecem mais atentas às oscilações climáticas.

ODS 16 – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis – O Mapa da Violência, produzido há vários anos pela FLACSO-Brasil, sob coordenação de Julio Jacobo Waiselfisz, é um dos termômetros do mal estar na sociedade brasileira. De acordo com o “Mapa da Violência 2016″ (aqui), entre 1980 e 2014 aconteceram quase 1 milhão (967.851) homicídios por armas de fogo no país, segundo dados do Ministério da Saúde. O Mapa deixa evidente a migração e descentralização da criminalidade, dos grandes centros urbanos para outras regiões. Houve um aumento exponencial dos homicídios por arma de fogo no Nordeste. Segundo o Mapa da Violência, novos polos econômicos que surgiram na região “atraíram investimentos e fluxos populacionais, mas também criminalidade e violência, diante da virtual ausência das instituições do Estado, fundamentalmente as da Segurança Pública”.

A promoção de sociedades pacíficas e inclusivas representa, portanto, um dos grandes dramas para o Brasil do século 21 e o setor de seguros é um agente importante para atuar também nesse campo. Em agosto de 2017, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) realizou o seminário “A violência no Rio em debate”, com a participação de vários especialistas. O aumento do roubo de cargas e veículos é um dos fatores de preocupação e atenção para o segmento.

ODS 17 – Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável – As parcerias são fundamentais para a implementação dos ODS e as seguradoras brasileiras parecem cientes dessa realidade, como demonstra a sua importante adesão aos PSI. As seguradoras também têm ampliado parcerias próprias. A mais recente iniciativa do Grupo Bradesco Seguros, em parceria da Organização Bradesco com o Instituto Akatu, observa o Diretor Executivo Eugênio Velasques, tem o objetivo de sensibilizar e mobilizar os colaboradores em relação ao consumo consciente de energia elétrica e água, além do descarte adequado de resíduos. Intitulada “Campanha Racionalize”, o primeiro passo da campanha foi a oferta do Teste de Consumo Consciente, criado para aferir o grau de conhecimento dos funcionários e colaboradores sobre o consumo consciente dos recursos naturais. Paralelamente, foram realizadas palestras com dicas para funcionários e prestadores de serviços sobre o uso correto dos recursos e descarte de resíduos, além da colocação de lixeiras de coleta seletiva nas dependências da empresa, adesivos em sanitários e curso on-line de sustentabilidade.

Entretanto, para que as seguradoras ampliem e consolidem sua atuação na execução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um desafio de base parece comum ao setor, como atestam os trabalhadores que atuam na venda direta. “É preciso investir mais na educação para o seguro. O brasileiro ainda não tem o hábito, a cultura do seguro incorporada, ainda acha que é custo e não investimento”, sintetiza o corretor autônomo de Campinas Bruno Pacheco Caraccio. Ele volta a citar o crescimento da procura após os eventos climáticos extremos. “Sempre acontece uma corrida depois disso, mas é preciso esclarecer melhor como funcionam os seguros e sua cobertura, reforçar o conceito fundamental do seguro de que ele ajuda a manter o equilíbrio financeiro abalado por um evento sobre o qual não se tem controle”, completa Bruno. Uma clara indicação de que ainda existe largo caminho de oportunidades a percorrer, para que a indústria de seguros amplie a sua atuação, contribuindo ainda mais com a implementação da Agenda dos ODS.

Muitas casas em Campinas foram atingidas pela microexplosão atmosférica em junho de 2016: eventos climáticos extremos tendem a se multiplicar (Foto José Pedro S.Martins)

Muitas casas em Campinas foram atingidas pela microexplosão atmosférica em junho de 2016: eventos climáticos extremos tendem a se multiplicar (Foto José Pedro S.Martins)

 

 

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