Projeto Nova Glicério dá um novo passo com arborização e agora espera ocupação com arte
Simulação com ipê amarelo, uma das espécies que serão levadas à avenida Francisco Glicério (Foto José Pedro Martins)

Projeto Nova Glicério dá um novo passo com arborização e agora espera ocupação com arte

Por José Pedro Martins

 

O projeto da “Nova Glicério”, como foi batizado oficialmente pela Prefeitura o conjunto de medidas para remodelação da principal avenida de Campinas, dará um novo passo com a instalação de 99 vasos com árvores nativas da região. O processo de inserção dos vasos de aço – grafitados com imagens de animais silvestres típicos da Mata Atlântica – será iniciado nos próximos dias e tem conclusão prevista para até o dia 18 de dezembro, conforme anunciou na tarde desta quinta-feira, 5 de outubro, o prefeito Jonas Donizette.

Na cerimônia no quarto andar do Palácio dos Jequitibás, Donizette admitiu que, após a inauguração da “Nova Glicério”, a 30 de junho do ano passado, a Prefeitura recebeu críticas quanto à “falta de verde” na nova paisagem da avenida Francisco Glicério, a principal via pública da região central da cidade. A Agência Social de Notícias fez, à época, referência a esse aspecto (ver artigo “´Nova` avenida Francisco Glicério fortalece demanda pela ocupação do centro de Campinas. Com arte e verde”, aqui).

O prefeito Jonas Donizette no evento desta terça-feira: verde na região central (Foto José Pedro Martins)

O prefeito Jonas Donizette no evento desta terça-feira: verde na região central (Foto José Pedro Martins)

Foi então que o prefeito convocou o secretário municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes, a quem solicitou a elaboração de um projeto visando a arborização da avenida. “Um projeto de preferência sem custos”, resumiu o prefeito. A estratégia foi a utilização do mecanismo de Compromisso Ambiental para a viabilização do projeto. No caso, foi empregado um Compromisso Ambiental por parte da construtora MRV, em função dos seus empreendimentos Parques dos Cantos e Marginal da Rodovia Anhanguera.

O custo do projeto foi estimado em R$ 338 mil. As operações na avenida Francisco Glicério começam nos próximos dias, com a instalação dos 99 vasos, com as árvores de cerca de 15 espécies nativas. Os vasos foram grafitados pelo artista plástico Alexandre Filiage, com imagens de animais encontrados na Mata de Santa Genebra, maior área de vegetação nativa de Campinas. Essas operações serão noturnas, “visando o menor incômodo possível para o trânsito e as pessoas”, observou Jonas Donizette. Filiage é autor, entre outros projetos, dos Muros da Mata Atlântica, com os quais pretende chamar a atenção para a destruição de um dos principais hotspots de biodiversidade do planeta.

Maria Rita Amoroso, autora do projeto de remodelação da Glicério: agora, a ocupação, com arte e cidadania (Foto José Pedro Martins)

Maria Rita Amoroso, autora do projeto de remodelação da Glicério: agora, a ocupação, com arte e cidadania (Foto José Pedro Martins)

Agora, a ocupação do centro – A arquiteta Maria Rita Amoroso, autora do projeto de remodelação da avenida Francisco Glicério, participou do evento na tarde desta quinta-feira na Prefeitura. Ela destacou que o paisagismo na avenida é um passo importante, mas entende que permanecem desafios para que seja alcançado o grande objetivo do projeto, que é o resgate, restauração e proteção da histórica região central da cidade e do rico patrimônio nela existente.

“E isso acontece com uma ocupação integral, com a vida noturna recuperada, com mesas no Largo do Rosário e outras praças no percurso da avenida e com muitas atividades artísticas, por exemplo cinema e teatro ao ar livre”, defende a arquiteta. Ela nota que o projeto original prevê a grafitagem em outros espaços da avenida e entende que para que isso aconteça, em uma nova etapa, deveria ser convocado um coletivo de artistas, propiciando a diversidade de linguagens e visões estéticas na Glicério.

A avenida se tornaria, então, uma grande galeria a céu aberto, um convite à contemplação e ao uso permanente dos espaços públicos. Com isso, toda a região central poderia vir a ser paulatinamente também requalificada e ocupada. “A cidadania precisa assumir para si o projeto, sentir que os espaços são dela”, sintetiza Maria Rita Amoroso, apontando para um enorme desafio em todos os grandes centros urbanos, o de que a cidade seja recuperada para o seu verdadeiro dono, o povo.

Secretário Rogério Menezes explica o processo de instalação dos vasos com árvores nativas na avenida Francisco Glicério (Foto José Pedro Martins)

Secretário Rogério Menezes explica o processo de instalação dos vasos com árvores nativas na avenida Francisco Glicério (Foto José Pedro Martins)

 

 

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