Dança inclusiva é tema de palestras e shows até sábado em Congresso da Unesco
Olivier Pascalin, ex-primeiro bailarino da Ópera de Paris e ex-bailarino da Cia Maurice Béjart, e Lucila Moro, ex-primeira bailarina do Teatro Colón da Argentina, durante 43º Congresso de Dança Inclusiva da Unesco em Campinas Fotos: Martinho Caires

Dança inclusiva é tema de palestras e shows até sábado em Congresso da Unesco

Por Adriana Menezes

“Antes de qualquer idioma, havia a dança”, declara Olivier Pascalin, ex-primeiro bailarino da Ópera de Paris e ex-bailarino da Cia Maurice Béjart, que é também médico e um dos fundadores do Médicos Sem Fronteiras. Ao lado da sua esposa, Lucila Moro, ex-primeira bailarina do Teatro Colón da Argentina, o casal participa do 43º Congresso de Dança Inclusiva da Unesco, que pela primeira vez acontece no Brasil. O evento, que teve abertura oficial ontem à noite em Campinas, tem também a participação do dançarino Carlinhos de Jesus. Hoje, amanhã e sábado, haverá espetáculos de dança gratuitos – aberto a contribuições espontâneas – no Liceu Salesiano, sempre às 19h30.

“A temática do corpo é uma língua universal”, continua Olivier Pascalin, que falou em sua palestra com Lucila Moro sobre “o quanto vale a máquina perfeita que é o nosso corpo”. Desde 2003 o casal trabalha com dança para pessoas especiais e crianças. “O corpo não tem limitações. Há que cuidá-lo”, diz Lucila. “Conhecer a nossa capacidade física é fazer um reencontro consigo mesmo. Isso nos dá vida mais prolongada e mais sadia”, completa a bailarina.

Os dois bailarinos se conheceram em um congresso mundial de dança na Argentina. Olivier já era médico, além de bailarino. Seu interesse pela medicina aconteceu após sofrer um acidente de moto em 1966 que o deixou totalmente imobilizado durante dois anos. “Tive tempo para repensar tudo enquanto estive paralisado. Depois eu reaprendi a respirar, a caminhar a dançar”, relembra o bailarino que também participou de filmes ao lado de grandes estrelas do cinema internacional.

Keyla Ferrari e Vicente Pironti, coordenadores do Congresso, com o bailarino Carlinhos de Jesus, que desde 1989 trabalha com dança inclusiva  Foto: Martinho Caires

Keyla Ferrari e Vicente Pironti, coordenadores do Congresso, com o bailarino Carlinhos de Jesus, que desde 1989 trabalha com dança inclusiva Foto: Martinho Caires

Pensar no outro

Mais conhecido do público brasileiro e pronto para atender a pedidos de fãs que querem tirar fotos ao seu lado, o bailarino Carlinhos de Jesus também trouxe para o congresso sua experiência com pessoas especiais. “Temos que multiplicar essa forma de ver as coisas, de sermos mais solidários e inclusivos, de pensarmos no outro. Afinal, hoje eu puxo um pouco a minha perna e não enxergo tão bem, e danço. Por que um cadeirante não pode dançar?”, lança a pergunta.

Carlinhos é padrinho Companhia de Dança Humaniza, um programa de inclusão social por meio da dança e do circo que mantém suas atividades no CIS Guaranabara, em Campinas. A Cia é um projeto de Keyla Ferrari e Vicente Pironti, e foi indicada ao Prêmio Ações Inclusivas para Pessoas com Deficiência em 2013. “Não podemos deixar que iniciativas como as de Vicente e Keyla fiquem sem apoio”, diz Carlinhos, bailarino e pedagogo.

Ele conta que começou a se envolver com a dança inclusiva quando conheceu de perto a realidade de uma aluna que tinha uma filha com Síndrome de Down. Desde 1989 ele trabalha com projetos nesta área. “Culminou com as Pára-Olimpíadas de Sidney, em 2000”, lembra Carlinhos, que protesta: “É uma pena que no Brasil não haja incentivos para estes projetos que dão alternativa de participação das pessoas com deficiência.”

“A temática do corpo é uma língua universal”, disse o bailarino Olivier Pascalin, que falou em sua palestra com Lucila Moro sobre “o quanto vale a máquina perfeita que é o nosso corpo”   Foto: Divulgação

“A temática do corpo é uma língua universal”, disse o bailarino Olivier Pascalin, que falou em sua palestra com Lucila Moro sobre “o quanto vale a máquina perfeita que é o nosso corpo” Foto: Divulgação

Dedicação

A bailarina e pedagoga Keyla Ferrari, que coordena o 43º Congresso de Dança Inclusiva da Unesco, espera realizar no próximo ano mais uma edição do congresso em Campinas. “Que seja o primeiro de uma série. Não tivemos patrocínio suficiente, foram poucas parcerias, mas espero que consigamos mais patrocínio.” Ainda em 2016, haverá mais três congressos de dança da Unesco – na Grécia, Estados Unidos e França (o tema na França será deficiência).

Keyla preside o Conselho Internacional de Dança (CID) da Unesco em Campinas e atua na área da arte para pessoas com deficiência há 20 anos.O Congresso tem a gestão da Agencia Internacional de Desenvolvimento Humanitário – Humaniza, que tem como presidente Vicente Pironti. A programação de palestras, que acontece no CIS Guanabara, tem a participação de bailarinos, professores e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que compartilham entre eles suas experiências com diversas formas de dança existentes no mundo.

O evento conta com  a parceria da Secretaria  Municipal da pessoa com deficiência e Mobilidade reduzida de Campinas, Secretaria Municipal de Turismo de Campinas,  CIS Guanabara /Preac/Unicamp, Unisal, Sociedade Humana Despertar, Sinergia  e apoiadores culturais.

 

Evento: 43º Congresso de Dança Inclusiva da Unesco

Locais: Palestras no CIS Guanabara /Preac – Unicamp (durante o dia, evento fechado)

e Teatro da Unisal (Universidade Salesiana São José) Liceu de Campinas (à noite, 19h30, aberto ao público).

Data: até 1º de Maio de 2016

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